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A minha Bela Adormecida

A minha Bela Adormecida

Ai como ela é bela, bela demais

Ai como ela é bela, bela demais

E eu só tenho pena

Já não saber como ela vai

Quando dei por mim alguém viu em ti

Algo que eu não vi e então perdi

E eu só espero que, sejas feliz

Já que te levaram de mim

(…)

E que um dia ainda voltes pra mim

Música do Agir

 

Ontem ao ouvir esta música, parei os meus pensamentos para desfrutar do refrão... ai como ela era bela... também espero que um dia ainda voltes pra mim, meu amor... noutro espaço, noutro tempo, noutra dimensão...

Filme

No outro dia passei novamente à porta do hospital/casa da Sofia... voltaram a emoções... agora parada na esquina de um prédio parecia estar a ver um filme, a ver-nos aos dois, as duas personagens do filme, a caminhar do parque de estacionamento para a porta, sempre na ânsia de a vêr e depois à saída às vezes animados e cheios de esperança, outras vezes mais tristes... e ela lá dentro, na sua caminha a dormir, na sua paz, no seu mundo...

 

Resta-me as saudades!

Empréstimo

Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo.

Anónimo

 

Faz hoje 2 meses que ela partiu... 

 

Amputação

Uma das sensações que a partida da Sofia me deixou foi de ter ficado amputada... efetivamente faz sentido este sentimento... durante 9 meses ela fez parte de mim e quando nasceu esse pedaço de mim, viveu fora do meu corpo, tal como acontece todos os filhos. Há aquela frase que descreve bem o que tento dizer:

Ser mãe é ter o coração fora do corpo

Só que no caso da Sofia, esse pedaço de mim já não vive fora do meu corpo, por isso vem esse sentimento de amputação desse pedaço de mim... 

 

Agora, tal como nos casos de amputação física, tenho de me reabilitar, reaprender a viver... 

Filha única

Um dos motivos para que decidissemos ter mais um filho foi, para além de estarmos a amar ser pais da Maria desde o seu primeiro dia e por isso querermos repetir a experiência com mais um ser humano, permitir dar à Maria um companheiro para a vida e quem sabe o seu melhor amigo/amiga.

 

Esta é a minha visão cor-de-rosa do conceito de Irmão, visto não ter nenhum... alguém que se ame, com que se partilha as aventuras, brincadeiras e travessuras desde a infância, que esteja lá sempre para os bons e os maus momentos, mesmo com as aproximações e afastamentos do decurso da vida... 

 

Em pequena nunca desejei ter irmãos, na infância sempre estive rodeada de primos e amigos pelo que nunca senti necessidade de partilhar o amor dos meus pais com outra pessoa, agora em adulta penso que deveria ser muito bom ter este companheiro fraterno e por isso desejo-o para a minha filha.

 

Quando soube que a Sofia era uma menina, fiquei super feliz... para além de terem um Irmão, elas teriam-se uma à outra para partilhar as suas histórias de mulher, o mesmo não ia ser se o bébé que estava à espera fosse rapaz... ia ser maravilhoso! 

 

Claro que é uma visão idílica e que nunca saberei o que iria acontecer... poderiam até ter feitios completamente opostos e não se darem nunca... mas um dos aspetos que realmente me doí nesta situação, foi a perda deste relacionamento na vida da Maria.

Teorias

Efetivamente o Homem é um Ser pensante na busca de respostas... nestes últimos tempos já ouvi n possíveis teorias sobre a razão de partidas prematuras da Vida:

 

i)  Ela era um Ser Iluminado... como se fosse um ser que está num plano de Alma acima do nosso e como tal teria de voltar para o seu lugar.

 

ii) Ela era um Anjo de Luz... teoria semelhante à anterior, mas como um cariz mais religioso.

 

iii) Ela veio cumprir a sua missão de vida, nomeadamente, através da quebra de vínculo de relações humanas construídas em vidas anteriores.  

 

iv) Por último, à quem simplesmente não tenha necessidade de ter nenhuma razão especial, atribuí simplesmente a sua partida a um facto orgânico: surgiu, desenvolveu-se, adoeceu e partiu devido ao estado muito debilitativo... era um ser humano, tal como todos nós...

 

Eu quero acreditar que ela era Especial...

Viagem

Acordámos que seria bom para nós fazermos uma viagem... sair de casa, conviver unicamente os três, conhecer outro local, apanhar sol... e assim fizemos.

 

Foi muito bom...

 

Sair da nossa realidade diária permitiu quebrar os pensamentos quase sistemáticos dos acontecimentos, permitiu relativizar algumas questões pendentes que tenho na cabeça, ou pelo menos, dar tempo ao tempo para decidir alguns rumos da vida, permitiu sentir novamente a alegria da Vida... é muito bom viver... desfrutar do calor humano (os risos, a alegria, a simpatia...) e de tudo o que a natureza deste planeta Terra nos dá (a cor do mar, a visão de um por do sol, o tacto da areia, o sentir do vento...).

9:00

É logo de manhã que encontro o pior momento do dia... quando, após a azáfama da manhã e de ter levado a Maria à escola, entro em casa e encontro o Silêncio... lembro-me do motivo de estar ali... estar de licença de maternidade mas sem o meu bébé...

 

Agradeço pelas leis se terem alterado e permitirem esta possibilidade das mães que vivenciam o luto neste período recuperarem da sua dor física e mental. É extremamente fundamental ter este tempo para "encaixar" os acontecimentos e "lamber as feridas"...

Montanha Russa

Tenho a sensação que neste último ano estive a andar numa montanha russa...

 

Começando com uma descida abrupta no início de 2016, seguida de um loop que permitiu trazer a vida para onde ela estava... depois seguiu-se uma subida de felicidade muito lenta de 9 meses que encontrou o "precipício" no dia de Natal... estivemos agora a cair, mas acho que já encontrámos uma linha estável...

 

Espero continuar nesta linha reta por uns tempos... 

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